35. Revide

fonte da foto: http://www.minutoms.com.br/noticias/fotos/capas/13674.jpg
Eu tenho razão
Eu só fiz me defender
De uma injusta agressão
O que mais iria fazer?

Eu não mexo com ninguém
Quando mexo é exceção
Explosão, todo mundo tem
Mas não é o meu padrão

Já naquele ato agressivo
Ele agiu covardemente
Não foi um eventual impulsivo
Naquele caso, foi diferente

Como eu posso saber
Que ele também queria evitar?
Ora, isso é fácil de ver
Basta ver com o meu olhar

A Coreia do Norte ameaça o mundo com uma nova guerra internacional. É inacreditável que o ser humano, em pleno nível atual de evolução cultural, tecnológica e, sobretudo, espiritual, ainda recorra a ameaças, agressões e revides quando sua vontade, de alguma forma, não é atendida.
Esse ditador coreano é um louco, uma figura da pior espécie.

***

Outro dia, não faz tanto tempo, no trânsito, tomei uma fechada brusca, de um ônibus, daquelas que a gente tem que se espremer contra o meio fio para evitar a colisão. Fiquei irado.

Há muito que mudei completamente minha atitude no trânsito.

Primeiro, saindo mais cedo para meus compromissos assimilando que o congestionamento do trânsito mais do que um azar eventual, é uma realidade constante da qual não posso fugir.

Uma outra atitude, foi realmente buscar uma mudança de comportamento. Em vez de sair costurando feito um louco orgulhoso de ser o carro mais rápido naquele espaço, agora escolho uma fila e permaneço nela, dando, inclusive, passagem para outros carros que precisam sair de garagens ou mudar de pistas, e também para os pedestres que precisam atravessar.

Parece uma postura óbvia e básica, mas se observar atentamente, verá que pouca gente dirige assim. Talvez, nem você mesmo.

Essa nova atitude vinha me fazendo, inclusive, relevar fechadas...

Mas diante desta última, não me segurei.

Diante do trânsito engarrafado, consegui cortar pela esquerda entre o ônibus e o carro que estava na outra pista, ultrapassei o sacana e me postei na sua frente. A partir de então, passei a andar a 20 km/h, de forma irritante e sem deixa-lo me ultrapassar. É bem verdade que todos os outros carros da rua andavam a 30 km/h, uma vez que era horário de pico e o congestionamento era daqueles típicos. Mas o motorista pareceu ficar louco da vida, quase encostando a frente do ônibus no meu carro.

Logo mais à frente, ele virou para um lado e eu segui meu caminho com sentimento de vingança realizada.

Observação I: Está certo que minha “vingancinha” não foi um ato muito corajoso ou drástico.

Observação II: na verdade, minha “vingancinha” foi ridícula, patética, e poderia ter gerado consequências trágicas, num ambiente tão violento ou agressivo dos tempos atuais.

***

A comparação entre a vingança no trânsito e a ameaça de guerra pode à primeira vista parecer descabida, forçada, sem noção.

Mas vejo um ponto de identidade entre a pequena violência entre dois homens e a eterna violência entre duas nações: o revide.

Quem toma um tapa e não reage é tachado de covarde, passivo. A criança que chama uma pessoa mais velha quando é agredida, é discriminada, muitas vezes pelos próprios pais, que imaginam que a atitude correta seria revidar ali, de pronto, na hora.

Quando somos agredidos, das mais variadas formas, muitas vezes preferimos o revide, a deixar passar o destempero do momento, buscando meios adequados para denunciar o agressor.

Assim como em muitos conflitos entre nações, que sobrevivem eternamente porque ambas as partes julgam que foram agredidas primeiramente e de forma injusta.

Se não somos chefes de estado na posição de começar ou evitar uma guerra, temos o dever de cuidar do pequeno ditador coreano que reside dentro de nós, em cada batalha diária, para evitar o revide, já que, sim, seremos agredidos, e frequentemente iremos agredir (de forma inconsciente, nós os bonzinhos), ao longo da vida.

Sds,
 
Hugo

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