18. Hormônio ou essência

Fonte da foto: http://www.mundoeducacao.com.br/quimica/a-quimica-amor.htm

Como curar a miopia
Que não nos deixa enxergar
Que deixamos em segundo plano
O que é primeiro lugar?

Como curar disritmia
Que provoca contradição
Centenas de cardiologistas
Que não sabem tratar coração?

Como curar a anemia
Dependente de um doador
Que não doe apenas sangue
Também ceda um pouco de amor?


Hormônio do amor pode curar alcoolismo!

Uma notinha interessante na revista Super Interessante: “Doses extras de ocitocina, hormônio produzido pelo organismo durante o orgasmo, o parto, e em situações de afeto, podem ajudar a curar o vício do álcool. A descoberta é de um estudo da Universidade da Carolina do Norte, em 11 voluntários alcoólatras receberam o hormônio”.

Essa notinha me parece a tradução perfeita da – para mim – miopia da ciência ocidental. Diagnostica-se sintomas, aplicando-se paliativos.

Ora, não seria o próprio amor que seria capaz de derrotar a angústia que leva ao alcoolismo?

Acho incrível a forma como a medicina ocidental negligencia questões psicossomáticas. Está tão presente em nosso dia a dia a influência da mente no corpo: no frio na barriga ou até mesmo na dor de barriga que sentimos quando ficamos nervosos; na taquicardia que sentimos quando estamos com medo; na insônia que sofremos quando estamos angustiados. Não faz muito tempo, assisti minha mãe tendo ânsia de vômito ao saber da morte de um ente querido.

Porém o que e como nossa brilhante medicina tão evoluída trata? Dando remédio para segurar dor de barriga, aliviar a taquicardia, adormecer o ser insone...

E tome-lhe doses e drogas.

Nossa sociedade cuida de ansiedade e depressão com ansiolíticos e antidepressivos, os remédios mais vendidos da atualidade.

Mas cuidar das causas do nervosismo, medo e da angústia, para nós ocidentais, é coisa de hippie, gente alternativa.

Nesse particular, cada vez mais acho que a sociedade oriental está anos-luz na nossa frente. Lendo o livro de filosofia que citei no texto 4. A REGRA DE OURO deste blog (http://bloghugoalencar.blogspot.com.br/2012/08/4-regra-de-ouro.html), logo percebemos o quanto os pensadores ocidentais se concentravam mais em questões físicas e materiais e o quanto que os filósofos orientais sempre buscaram focar mais em temas espirituais e sociais.

Eu, por exemplo, tive uma experiência que julgo bem ilustrativa: no único procedimento cirúrgico que já me submeti nessa vida até hoje, o momento para mim mais dramático aconteceu nos minutos que seguiram do meu despertar da anestesia. Fui colocado num canto escuro de uma sala pós-cirurgia para ficar em observação. “Observação” para os padrões científicos ocidentais, pois ninguém me observava no sentido literal da palavra. Fiquei alguns minutos, talvez uma hora numa maca, de uma sala escura, recém saído da cirurgia, com uma sensação de abandono e desamparo totais. Vejam bem, não houve nada de errado no procedimento adotado pela equipe médica. Meu médico cirurgião foi de extrema competência no que diz respeito a arrancar com precisão minhas amígdalas enormes, sendo imensamente atencioso, tanto nas consultas pré quanto pós-cirúrgicas.

Mas naquele momento eu só queria colo e um cafuné...

Na verdade só quero levantar a questão, através de um caso singelo, que muitas vezes o que os doentes precisam não é apenas drogas e bisturis.

É claro que os avanços da medicina, digamos, tradicional, são inquestionáveis, e que muitas vezes temos que ser tratados no campo físico mesmo, com química na veia. Nem me venham ameaçar com qualquer bobagem do tipo: “quero ver, quando ele (Deus me livre) estiver sofrendo uma doença grave, se vai procurar um médico de verdade, ou cura espiritual, mental, social...”. Não é nada disso.

Acho apenas que, por exemplo, daqui há cinqüenta anos, vamos olhar para trás e observar o quanto nossa ciência de um modo geral era primitiva. O quanto focávamos mais no detalhe, sem atender ao que é realmente essencial.

Observem como aos poucos a realidade tem mudado nesse sentido. Outro dia li que a adoção da prática da ioga por parte de pacientes com câncer melhorou muito a disposição desses pacientes para lutar e se recuperar da doença. Na mesma direção, vê-se crescer atuação da acupuntura em diversos tratamentos, a ponto do Conselho Federal de Medicina reivindicar, há alguns anos, a exclusividade da prática dessa atividade para os médicos.

Aqueles chamados “doutores da alegria”, médicos que acrescentam ao tratamento tradicional atividades lúdicas e divertidas aos pacientes, também têm resultados animadores.

Talvez num futuro não muito distante, comecemos a entender que depressão, ansiedade, dor de cabeça, insônia, não se curam com drogas e sim com afeto, atenção, amparo. Talvez se evoluirmos de forma mais profunda, cheguemos até a compreender que úlceras, diabetes, pneumonias e cânceres também tenham causas psicossomáticas.

Talvez um dia possamos ler uma notícia numa revista científica de que foi comprovado que alguns voluntários foram curados do alcoolismo através – não do hormônio – mas da essência do amor.  
Sds,

Hugo

PS 1: Peste bubônica, Câncer, pneumonia,
Raiva, rubéola, Tuberculose e anemia
Rancor, cisticercose, Caxumba, difteria
Encefalite, faringite, Gripe e leucemia...

Hepatite, escarlatina, Estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo, Esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes, Asma, cleptomania...

Reumatismo, raquitismo, Cistite, disritmia
Hérnia, pediculose, Tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide, Arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie, Cãibra, lepra, afasia...

(O pulso ainda pulsa - Arnaldo Antunes)

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