21. Música do Mês. Dezembro. Óculos Escudos

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http://www.youtube.com/watch?v=1DbvPmg8DGc&feature=youtu.be

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Alta madrugada e tem gente acordada
Sem querer dormir, sem conseguir dormir
Que parece sentir que o céu irá cair no seu lençol

Talvez a posição atual de Plutão
Tenha dado a sensação de dor no coração
Ou pode ser que não, que a solução esteja em suas mãos

E essa dor aumenta até que não se agüenta
Essa noite cinzenta que se arrasta lenta
Então se vê que o medo é partilhar segredos com alguém

Até que se esforça, mas não tem a força
De levar pra forca essa fobia louca
De não se envolver o bastante e de viver sempre distante

Tememos ao fechar os olhos
Mas insistimos em usar óculos escuros
Tememos, nos escondemos cada vez que nos olhamos no espelho
Tememos ao fechar os olhos
Mas insistimos em usar óculos escuros (escudos)
Tememos, nos escondemos cada vez que nos olhamos no espelho

Não quer em seu abrigo um cão fiel e amigo
E pra cuidar do umbigo quer sempre consigo
Aquele cão, cuja vida é ajudar a avenida atravessar

Tememos ao fechar os olhos
Mas insistimos em usar óculos escuros
Tememos, nos escondemos cada vez que nos olhamos no espelho
Tememos ao fechar os olhos
Mas insistimos em usar óculos escuros (escudos)
Tememos, nos escondemos cada vez que nos olhamos no espelho
Calhou do último texto do ano ser justamente a publicação da música do mês. Nada planejado (nem evitado), a força das circunstâncias impôs que assim acontecesse.

Mas até que a publicação da música de dezembro ter caído justamente no último texto do ano, foi bastante adequada, por tudo que isso representa.

Pois se o final do ano é o momento apropriado ou inevitável para fazermos um balanço do ano que passou e de tudo que esperamos pro próximo ano, a publicação de mais uma música representa uma meta alcançada no ano que vai findando, sendo ao mesmo tempo uma seta apontada para o ano que se iniciará nos próximos dias.

Como tudo na vida, cada início é o fim de algo e cada término é o começo de uma nova jornada. O fim do ensino médio é o início da faculdade, o fim da faculdade é o início da vida profissional, o fim de um emprego é o início de outro; o fim de um relacionamento é o início de uma vida diferente, o fim da gestação é o início da maternidade, o fim da infância, é o início da adolescência, o fim do noivado é o início do casamento, o fim de um casamento pode ser o início de outro...

E entre cada ciclo há inúmeros “durantes”, paralelos, transversais, emaranhados.

A música publicada hoje é a sétima gravada de um total de dez previstas.  Ela informa que já passamos da metade de uma caminhada que não sabíamos se seria possível.

Esse é o x da questão: tornar possível o que se idealiza. Entendendo que o idealizado quase nunca será possível, mas aquilo que se pôde e que se efetivou de forma concreta é o que tem de ser valorizado.

E acho que esse olhar que deve olhar para trás, para o ano que está acabando. Valorizando as conquistas possíveis e aprendendo com as metas não batidas para não cometer os mesmo erros no ano que entra. Não deve ser por acaso que nossos olhos são virados para frente. Valeu 2012!

***

A música do mês, Óculos Escudos, é a música mais antiga de todas que fazem parte do projeto “Uma Palavra Vale Mais Que Mil Imagens”. Sem ter tido o cuidado de datar corretamente as composições, acredito que ela deve ter mais de 10 anos. Talvez 15...

Eu às vezes até me surpreendo com algumas músicas antigas que volto a visitar, quando noto um grau de maturidade ou profundidade em algumas letras que eu não julgava que já existisse no compositor, há 10, 15 anos atrás. É possível, é claro, que seja o olhar atual do autor que empreste hoje àquela letra de anos atrás uma profundidade que não existia no momento da sua concepção. Mas em relação a “Óculos Escudos” acredito que ela já queria dizer desde quando composta, o que ela diz hoje. O mais interessante, talvez, seja o fato do fenômeno do medo de nos relacionarmos de forma mais profunda ter se agigantado ao longo dos últimos anos.

Porque é disso que trata “Óculos Escudos”: do nosso medo de nos relacionarmos profundamente, apesar de fugirmos enlouquecidamente da total solidão. Aí, quando olhamos ao redor, vemos um quadro de relações vazias, amizades de rede sociais, ficantes que não assumem namoros, casamentos meramente formais.

Peço desculpas por justamente o último texto do ano ter uma carga um pouco mais densa do que o de costume. Mas como iniciei dizendo, nada foi planejado – ou evitado.

A letra de Óculos Escudos realmente deve ser a mais sombria do projeto. E talvez momentos de transição – como um ano para outro – precisem de uma reflexão mais profunda, uma real visita ao porão, se quisermos realmente nos deparar com um ano “novo”.

Que venha 2013!

Sds,

Hugo

PS: Pros mais interessados, talvez valha a pena revistar o primeiro texto do blog, Um Caminho:

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